Sentir ansiedade constante sem motivo aparente geralmente não significa que algo perigoso esteja a acontecer neste momento. Pode significar que o sistema de alarme do seu corpo continua ativo mais tempo do que a situação exige. Stress prolongado, sono insuficiente, cafeína, efeitos de medicamentos ou um problema de saúde podem contribuir. Não consegue identificar a causa por si, mas pode reunir observações úteis.

Porque aparece ansiedade quando parece estar tudo bem

A ansiedade é uma resposta natural que o prepara para uma conversa difícil, uma tarefa exigente ou um perigo real. Torna-se preocupante quando persiste durante muito tempo, parece difícil de controlar e o acompanha até em situações razoavelmente seguras.

Ansiedade persistente não significa automaticamente que tenha uma perturbação específica. Pode estar relacionada com sobrecarga, uma experiência dolorosa, horários de sono irregulares, cafeína em excesso, álcool ou drogas. Algumas doenças e efeitos secundários de medicamentos podem causar sensações semelhantes. Por isso, um profissional precisa de considerar o quadro completo, em vez de procurar uma única explicação simples.

Preocupar-se pode parecer uma forma de resolver problemas, mas há uma diferença prática. Resolver um problema leva a uma decisão ou a uma ação. A preocupação volta repetidamente às mesmas possibilidades e deixa-o no mesmo ponto, apenas mais cansado. Se pensar várias vezes no assunto não o leva a uma decisão, escreva qual é a preocupação e uma ação que pode tomar. Se não houver nenhuma ação possível, deixe o assunto para um momento previamente escolhido.

Como se manifesta a ansiedade persistente

Além de preocupações repetidas, pode notar:

  • dificuldade em descansar e tensão muscular contínua;
  • irritabilidade ou sensação constante de estar em alerta;
  • dificuldades de concentração e de memória recente;
  • sono perturbado e cansaço mesmo depois de uma noite inteira na cama;
  • dores de cabeça, dores musculares ou desconforto no estômago;
  • coração acelerado, suores ou sensação de falta de ar.

Estas experiências podem ocorrer na perturbação de ansiedade generalizada, que envolve preocupação excessiva com várias áreas da vida quotidiana. A sua presença não estabelece um diagnóstico. Também importam a duração, a intensidade e o espaço que a ansiedade ocupa no seu dia.

O que observar durante a próxima semana

Durante alguns dias, anote quando surge a ansiedade, quanto tempo dura, que pensamentos a acompanham e o que sente no corpo. Registe também a hora, como dormiu e o que comeu ou bebeu recentemente. Reveja as notas no fim da semana. Pode ser difícil reconhecer um padrão olhando para cada dia isoladamente.

Nesse período, reduza a cafeína, procure manter horários de sono e de despertar relativamente regulares, faça algum movimento e reserve uma parte tranquila do dia sem ecrãs. Estes passos não são um tratamento para a ansiedade. Ajudam a reduzir fontes comuns de estimulação para que perceba melhor o que persiste.

Preste atenção especial à noite. A ansiedade pode dificultar o sono, e dormir mal pode reduzir a sua capacidade de lidar com o stress no dia seguinte. Se há algum tempo dorme menos ou acorda frequentemente, diga-o a um médico ou profissional de saúde mental. Pode ser um dado importante para a avaliação.

Pode usar um diário de emoções ou um exercício para organizar os pensamentos, incluindo ferramentas de autoajuda da HelpClinic. O objetivo é ajudá-lo a observar o que sente e a aliviar a tensão. Estas ferramentas não permitem saber se tem uma perturbação.

Os limites do registo da ansiedade

Registar o que sente pode ajudar, mas para algumas pessoas também tem um custo. Avaliar repetidamente as sensações pode aumentar a atenção dada ao corpo e intensificar a ansiedade. Se isso acontecer, reduza o registo a uma frase por noite ou pare até poder falar do assunto com alguém.

Um diário também não permite determinar se uma doença ou um medicamento está a contribuir. Nenhuma aplicação ou questionário online substitui essa avaliação. Pesquisar sintomas repetidamente e pedir garantias com frequência pode tranquilizá-lo por pouco tempo, mas o alívio tende a desaparecer. Com o tempo, estes hábitos podem reforçar a ideia de que precisa de verificar tudo constantemente.

Quando marcar uma consulta

Fale com um profissional se a ansiedade persistir, interferir com o sono, o trabalho, os estudos ou as relações, ou o levar a evitar cada vez mais situações. Faça o mesmo se está a recorrer ao álcool ou a tomar medicamentos de uma forma que o médico não recomendou. Não precisa de esperar até deixar de conseguir cumprir as tarefas do dia a dia.

Um psicólogo, terapeuta ou psiquiatra pode avaliar o padrão dos sintomas e conversar consigo sobre terapia. Se os sintomas físicos forem intensos ou novos, comece por falar com um médico, que poderá decidir se são necessários exames.

Se tem pensamentos suicidas ou receia magoar-se, ligue para o aconselhamento psicológico do SNS 24, 808 24 24 24, opção 4, disponível a qualquer hora. Se precisa de falar com alguém, pode ligar para a SOS Voz Amiga, 213 544 545, todos os dias das 15h30 às 00h30. Se está em perigo imediato, ligue 112 ou dirija-se a um serviço de urgência.

Perguntas frequentes

Porque me sinto ansioso quando não está a acontecer nada?

A ansiedade sem causa evidente pode estar ligada a stress prolongado, exaustão, sono insuficiente, cafeína, drogas ou efeitos secundários de medicamentos. Algumas doenças podem causar sintomas semelhantes. A ansiedade persistente pode ocorrer numa perturbação de ansiedade, mas a sensação, por si só, não permite fazer um diagnóstico. Um médico ou profissional de saúde mental pode avaliar o quadro completo.

Como se manifesta a ansiedade persistente?

A ansiedade persistente pode envolver preocupação constante, tensão muscular, irritabilidade, dificuldade em descansar ou concentrar-se, sono perturbado e cansaço. Também pode causar dores de cabeça, desconforto no estômago, coração acelerado, suores ou sensação de falta de ar. A combinação varia de pessoa para pessoa, pelo que nenhum sintoma isolado confirma uma perturbação de ansiedade.

Quando devo procurar ajuda profissional para a ansiedade?

Marque uma consulta se a ansiedade persistir, perturbar o sono, o trabalho, os estudos ou as relações, ou o levar a evitar mais atividades do dia a dia. Procure ajuda mais cedo se está a recorrer ao álcool ou a tomar medicamentos de uma forma que o médico não recomendou. Conforme os sintomas, um médico, psicólogo, terapeuta ou psiquiatra pode ajudá-lo a avaliar os próximos passos.

Fontes