Toda a gente tem dias difíceis, e a tristeza pode ser uma resposta natural a uma perda, um conflito, uma desilusão ou uma sobrecarga. Preste mais atenção se, durante um período prolongado, nada lhe dá prazer, incluindo pessoas, interesses e atividades que antes eram importantes para si. A diminuição da capacidade de sentir prazer tem um nome. É um sintoma, não uma falha de caráter.
O que significa anedonia
Anedonia é a perda ou diminuição acentuada do prazer em coisas de que antes gostava. Pode não se parecer com tristeza. Pode repetir uma atividade que costumava fazer-lhe bem e não sentir nada. A música parece não lhe dizer nada, encontrar-se com um amigo torna-se cansativo e a sua refeição preferida é apenas comida.
A anedonia é um sintoma comum da depressão, mas também pode ocorrer com outros problemas de saúde, stress prolongado e exaustão. Um único sintoma não permite fazer um diagnóstico. Evite concluir por si que sabe qual é a causa, sobretudo se a mudança persiste ou afeta o seu dia a dia.
Também se pode confundir com burnout (esgotamento) ou cansaço habitual. Se o cansaço for o principal problema, descansar pode trazer alguma melhoria. Com anedonia persistente, uma pausa pode terminar sem que volte a conseguir desfrutar das coisas. Vale a pena reparar nessa diferença, embora ela também não permita diagnosticar a causa.
Mudanças que merecem atenção
Considere procurar ajuda profissional se a perda de prazer surgir juntamente com:
- humor em baixo ou irritabilidade;
- afastamento das pessoas ou adiamento repetido de encontros e conversas;
- energia ou motivação muito baixas;
- alterações do sono ou do apetite;
- dificuldade em concentrar-se;
- sentimentos de falta de valor, culpa ou desesperança;
- descuido com o trabalho, os estudos, a higiene ou as tarefas domésticas.
A duração e a frequência importam, tal como o efeito na sua vida. A depressão pode ter diferentes graus de gravidade. Uma pessoa que continua a trabalhar e a cumprir tarefas essenciais pode, ainda assim, precisar de ajuda. Parecer funcional aos olhos dos outros não mostra quanto esforço lhe custa cada tarefa.
Uma semana difícil ou uma mudança prolongada
Uma descida breve do estado de espírito tem muitas vezes um início e um fim reconhecíveis. Pode seguir-se a um acontecimento específico, aliviar quando as circunstâncias mudam ou melhorar após descanso. Entre os períodos mais difíceis, voltam a surgir momentos de interesse.
Tente lembrar-se da última vez que uma atividade prendeu verdadeiramente a sua atenção. Repare até onde precisa de recuar. Se o exemplo mais claro aconteceu há meses, é provável que a dificuldade vá além de uma semana difícil e mereça uma conversa com um profissional.
Uma mudança prolongada pode parecer um apagamento gradual, em vez de uma quebra súbita. Primeiro desaparecem as atividades opcionais. Depois, talvez os planos com outras pessoas. Por fim, as responsabilidades diárias tornam-se mais difíceis. Se não consegue identificar uma semana recente em que tenha sentido algum prazer ou interesse, anote isso. É uma informação útil, não a prova de um diagnóstico.
O que pode experimentar primeiro
Se a mudança for ligeira e breve, procure manter um ritmo diário regular. Dê atenção ao sono, às refeições, ao movimento e ao contacto com outras pessoas. Não espere pela motivação para começar a fazer alguma coisa. Por vezes, uma pequena mudança na forma como se sente só aparece depois de começar uma atividade.
Escolha uma atividade que costumava ter significado para si e marque uma hora concreta para a fazer. Não espere que o prazer volte imediatamente. O objetivo é observar se algo muda após várias tentativas, não obrigar-se a recuperar o entusiasmo antigo numa só noite.
Esta estratégia tem limites. Se cada atividade planeada se torna mais um motivo para se criticar, ou se não consegue começar sequer uma pequena tarefa, acrescentar objetivos pode piorar a situação. Encare essa dificuldade como um sinal de que pode precisar de ajuda, não como prova de falta de disciplina.
Um registo simples do estado de espírito e das atividades pode ajudá-lo a notar mudanças ao longo do tempo. Pode fazê-lo em papel ou usar as ferramentas de autoajuda da HelpClinic. O registo não substitui uma consulta e deve ser interrompido se o levar a vigiar-se constantemente.
Quando a autoajuda não chega
Fale com um médico, psicólogo, terapeuta ou psiquiatra se a mudança persistir, se agravar ou interferir com a sua vida. Um profissional pode avaliar a possibilidade de depressão e outras explicações, e conversar consigo sobre os cuidados adequados aos seus sintomas e à sua situação.
Leve alguns pormenores concretos. Anote quando começou a mudança, o que deixou de lhe dar prazer, como mudaram o sono e o apetite e o que ainda consegue fazer numa semana habitual. Não precisa de uma explicação elaborada nem de dar um nome ao que sente. Um exemplo recente pode bastar para começar.
A perda de prazer também pode acompanhar uma doença física ou surgir como efeito secundário de um medicamento. Se os sintomas persistirem, um médico pode avaliar essas possibilidades.
Se tem pensamentos suicidas ou receia magoar-se, ligue para o aconselhamento psicológico do SNS 24, 808 24 24 24, opção 4, disponível a qualquer hora. Se precisa de falar com alguém, pode ligar para a SOS Voz Amiga, 213 544 545, todos os dias das 15h30 às 00h30. Se está em perigo imediato, ligue 112 ou dirija-se a um serviço de urgência.
Perguntas frequentes
O que é a anedonia?
A anedonia é a diminuição da capacidade de sentir prazer em atividades ou experiências de que antes gostava. É um sintoma comum da depressão, mas também pode ocorrer com outros problemas de saúde, stress prolongado ou exaustão. É um sintoma, não um diagnóstico. Um profissional precisa de considerar a sua duração, outras mudanças e possíveis causas.
Quando é que o humor em baixo deve preocupar?
O humor em baixo merece atenção profissional quando persiste, está presente na maioria dos dias ou surge com afastamento das pessoas, falta de energia, alterações do sono ou do apetite e descuido com responsabilidades. Procure ajuda mais cedo se os sintomas se agravarem ou a vida quotidiana se tornar difícil. Continuar a trabalhar ou a cumprir obrigações essenciais não significa que esteja tudo bem.
Posso lidar sozinho com a perda de prazer?
Uma mudança breve e ligeira pode melhorar com sono e refeições regulares, movimento, alguma estrutura diária e contacto com outras pessoas. Escolha uma atividade pequena, em vez de esperar pela motivação. Se não houver melhoria, se a situação se agravar ou se as tarefas básicas se tornarem difíceis, fale com um médico ou profissional de saúde mental.
Fontes
- Depressive disorder (depression) (fact sheet)World Health Organization
- Depression in adultsNHS