A depressão com psicose envolve sintomas depressivos graves acompanhados de perda de contacto com a realidade, como alucinações ou crenças falsas inabaláveis. Exige cuidados profissionais rápidos. Se receia magoar-se ou magoar alguém, ouve vozes que lhe ordenam que aja ou não consegue manter-se em segurança, ligue 112 ou dirija-se a um serviço de urgência. Para apoio psicológico a qualquer hora, ligue para o SNS 24, através do 808 24 24 24, opção 4.

Que sinais exigem ação imediata?

Aja de imediato se houver perigo, confusão que se agrava rapidamente, incapacidade de satisfazer necessidades básicas ou pensamentos suicidas. Não espere até ter a certeza nem tente provar que a experiência corresponde a um diagnóstico específico.

  • Ouvir uma voz que ordena uma ação prejudicial
  • Acreditar que a morte, um castigo, uma vigilância ou uma catástrofe são inevitáveis, apesar de provas claras em contrário
  • Recusar comida, água, abrigo ou cuidados necessários por causa de uma crença inabalável
  • Preparar um suicídio, oferecer os seus bens ou dizer que não há motivo para viver
  • Ficar extremamente agitado, confuso, inacessível ou ameaçador

Ligue 112 se houver perigo imediato. Explique ao operador que parece tratar-se de uma crise de saúde mental, descreva a presença de armas ou ferimentos e indique onde a pessoa está. Se não houver perigo imediato, mas precisar de ajuda para decidir o próximo passo, ligue para o SNS 24, através do 808 24 24 24, opção 4. Para falar com alguém, pode ligar para a SOS Voz Amiga pelo 213 544 545, todos os dias das 15h30 às 00h30.

Se estiver a ajudar outra pessoa, proteja também a sua segurança. Não se aproxime de uma arma, não tente imobilizar a pessoa nem a transporte se o comportamento dela tornar a viagem insegura. Afaste-se para um local seguro e peça ajuda de emergência.

Como podem manifestar-se a depressão e a psicose em conjunto?

Uma pessoa pode parecer profundamente deprimida e, ao mesmo tempo, ouvir, ver ou acreditar firmemente em coisas que os outros não experienciam. As crenças podem acompanhar o humor deprimido, como a convicção inabalável de que arruinou a família, merece um castigo ou tem uma doença incurável, mesmo quando recebe garantias em contrário.

A psicose nem sempre se manifesta de forma evidente. Alguém pode tornar-se invulgarmente desconfiado, deixar de comer por sentir que a comida está contaminada ou isolar-se por acreditar que os outros conseguem ler os seus pensamentos. Uma lista de sinais não permite determinar a causa. Doenças físicas, privação de sono, substâncias, trauma, perturbações do humor e outras condições psiquiátricas podem causar mudanças semelhantes.

Um profissional precisa de avaliar a segurança, a saúde física, o humor, a perceção, o comportamento recente e o momento em que surgiu cada mudança. Prepare-se para explicar o que observou em linguagem simples. Em vez de dizer que a pessoa é irracional, diga que dormiu muito pouco, deixou de comer e relatou ouvir uma voz.

Como falar com a pessoa naquele momento?

Fale com calma e use frases curtas. Reconheça que o medo lhe parece real, sem concordar que a crença é verdadeira. Pode dizer: «Vejo que está assustado. Eu não ouço a voz, mas quero ajudá-lo a sentir-se em segurança.»

Evite discutir todos os pormenores. Uma confrontação direta pode aumentar o medo, enquanto concordar entusiasticamente pode reforçar uma crença perigosa. Concentre-se na próxima ação concreta: sentar-se numa divisão mais calma, ligar em conjunto para o SNS 24 ou ir a um serviço de urgência.

Reduza os estímulos se o conseguir fazer em segurança. Peça a uma pessoa que fale enquanto as outras se afastam. Ofereça escolhas simples, em vez de um plano complicado. Se a pessoa recusar ajuda e lhe parecer que há perigo imediato, ligue 112 e explique os comportamentos que o preocupam.

O que acontece depois da crise imediata?

O passo seguinte é uma avaliação atempada por profissionais qualificados de saúde física e mental. Na urgência, a equipa pode começar por verificar se há ferimentos, infeções, problemas neurológicos, privação grave de sono ou outras causas físicas antes de organizar cuidados psiquiátricos.

Leve informações úteis, se estiverem disponíveis: quando começou a mudança, como a pessoa tem dormido, comido e bebido, episódios anteriores, doenças existentes e contactos dos profissionais que a acompanham. Não atrase a ajuda de emergência enquanto procura registos completos. A segurança vem primeiro.

Quando o perigo imediato tiver passado, peça as instruções de alta e um plano de segurança por escrito. Devem indicar a quem ligar, onde será feito o acompanhamento e que mudanças justificam regressar à urgência. Se possível, confirme a consulta antes de sair. Se o custo for um obstáculo, pergunte ao serviço social do hospital que apoios e opções de acompanhamento estão disponíveis.

Qual é o papel da autoajuda?

A autoajuda não permite gerir uma psicose ativa nem substituir cuidados profissionais urgentes. Escrever um diário, tentar relaxar ou registar rotinas pode exigir demasiado esforço ou atrasar a avaliação necessária. Trata-se de um limite real, não de uma falha da pessoa ou da família.

Depois de um profissional avaliar a situação e definir um plano de segurança, rotinas simples podem ajudar entre consultas. A HelpClinic pode oferecer exercícios breves e um diário de emoções nessa fase mais estável, mas não pode avaliar a psicose, assegurar vigilância de emergência nem substituir um médico ou terapeuta.

Guarde os contactos no telemóvel e em papel: 112 para perigo imediato, SNS 24 pelo 808 24 24 24, opção 4, para aconselhamento psicológico a qualquer hora, e SOS Voz Amiga pelo 213 544 545, todos os dias das 15h30 às 00h30, para falar com alguém. Identifique também o serviço de urgência a que recorreria se surgisse outra crise.

Perguntas frequentes

Quando deve afastar-se de um familiar com uma perturbação mental?

Afaste-se e peça ajuda imediata se permanecer junto da pessoa puser alguém em perigo. Perante sinais de depressão com psicose, não tente gerir uma crise sozinho nem discuta as crenças da pessoa. Ligue 112 se houver perigo imediato, envolva outro adulto de confiança quando possível e estabeleça limites que protejam todos enquanto se organizam cuidados profissionais.

O que dizer a alguém que recebeu um diagnóstico recentemente?

Diga que está presente, que leva a sério o que a pessoa está a viver e que pode ajudá-la a contactar apoio profissional. Fale com calma, use linguagem simples e pergunte o que seria útil naquele momento. Se a pessoa parecer desligada da realidade, profundamente desesperada, incapaz de se manter em segurança ou em risco de magoar alguém, dê prioridade à ajuda urgente.

O que fazer quando sente que já não consegue lidar com a vida?

Se sente que não consegue lidar com a situação ou receia não conseguir manter-se em segurança, diga claramente a alguém de confiança que precisa de apoio imediato. Ligue 112 se houver perigo imediato ou contacte o SNS 24 pelo 808 24 24 24, opção 4, para aconselhamento psicológico a qualquer hora. Fique com uma pessoa em cuja presença se sinta seguro, se possível, e afaste objetos que possam ser usados para causar danos. A autoajuda não chega quando pode haver depressão grave, psicose ou perigo imediato.

Quais são os sinais de alerta da depressão com psicose?

Os sinais podem incluir depressão grave acompanhada de alucinações, crenças inabaláveis que os outros não partilham, culpa ou medo intensos desligados da realidade, confusão ou comportamentos inseguros. Qualquer risco imediato de autolesão, de magoar outras pessoas ou de incapacidade para satisfazer necessidades básicas exige ação urgente. Fale com calma, evite discutir a experiência e contacte apoio profissional em crise.