Preparar a primeira sessão de terapia pode ser simples: anote o que tem sido difícil, escolha um exemplo recente e leve as perguntas que considera importantes. Não precisa de contar toda a sua vida de forma organizada nem de usar termos clínicos. A primeira conversa permite-lhe, a si e ao terapeuta, compreender a dificuldade, discutir os próximos passos e perceber se se sente suficientemente à vontade para continuar.
O que costuma ser abordado na primeira conversa
O terapeuta costuma perguntar o que o levou a marcar a sessão e como a dificuldade afeta o seu dia a dia. Pode responder pelas suas próprias palavras. O objetivo é construir uma imagem útil da sua situação, incluindo o que mudou e o que já o ajuda.
Algumas perguntas podem parecer banais, por serem sobre o sono, as refeições, o trabalho, os estudos ou as pessoas à sua volta. Estes pormenores mostram até onde chega a dificuldade. Também ajudam a distinguir um momento difícil de um padrão que se repete.
O terapeuta pode perguntar sobre:
- o seu estado de espírito e as emoções que tem sentido;
- o sono, o apetite, a energia e a concentração;
- o trabalho, os estudos, a vida familiar e as relações próximas;
- terapia anterior ou outros cuidados de saúde mental;
- o que faz quando uma situação se torna difícil;
- aquilo em que gostaria de receber ajuda primeiro.
Não tem de responder imediatamente a todas as perguntas. Pode dizer «É difícil falar sobre isso» ou «Ainda não estou preparado para abordar esse assunto». Também pode perguntar por que motivo uma questão é relevante. Um terapeuta respeitador deve dar espaço a esses limites, sem o pressionar a revelar mais do que consegue.
Antes de a sessão terminar, pergunte o que o terapeuta recomenda a seguir. Pode ser outra conversa, terapia regular, uma avaliação médica ou algo específico a observar até se voltarem a encontrar. Pode tirar algum tempo antes de aceitar um plano.
O que dizer quando não sabe por onde começar
Pode começar por dizer que não sabe por onde começar. Isso basta. O terapeuta pode então fazer perguntas concretas e ajudá-lo a transformar a sensação vaga de que algo não está bem em assuntos mais definidos.
Uma forma simples de começar é dizer «O stress no trabalho tem sido demasiado para mim», «À noite, não consigo parar de pensar» ou «Não me sinto como antes, mas não sei explicar porquê». Também pode descrever o momento que o levou a marcar a sessão. Talvez tenha deixado de responder aos amigos, discutido com alguém próximo ou passado mais uma noite acordado a olhar para o teto.
Use exemplos, sem tentar fazer um diagnóstico a si próprio. Explique o que aconteceu, o que sentiu no corpo, o que pensou na altura e o que fez depois. Descrever um episódio da terça-feira passada pode ser mais útil do que dizer que tudo tem sido terrível há meses.
Se receia chorar, bloquear ou perder o fio à meada, diga-o no início. Pode fazer uma pausa. Pode ler notas no telemóvel ou entregar um pequeno apontamento ao terapeuta. Ficar em silêncio não significa que esteja a fazer a sessão de forma errada.
Como preparar a primeira sessão de terapia
Bastam algumas notas e as informações práticas necessárias para comparecer. A preparação deve aliviar a pressão, não tornar-se mais uma tarefa que tem de fazer na perfeição.
Antes da sessão, considere anotar:
- a principal dificuldade numa ou duas frases;
- quando a notou pela primeira vez e o que a agravou;
- uma situação recente em que se sentiu melhor ou pior;
- perguntas sobre a abordagem e a experiência do terapeuta;
- antecedentes médicos relevantes e os medicamentos que toma atualmente.
Também pode tomar notas breves sobre o sono, o estado de espírito, a tensão física e acontecimentos que lhe causaram stress. Não transforme isto numa vigilância constante. Algumas observações simples chegam para avivar a memória.
Confirme antecipadamente o preço, a duração da sessão, o local ou a plataforma de vídeo, as regras de cancelamento e a forma de pagamento. Se tem seguro de saúde ou subsistema, confirme junto da entidade responsável que consultas estão abrangidas e quais os custos a seu cargo. Confirme também com o terapeuta as condições aplicáveis.
Se não tiver cobertura, pergunte pelo preço e por eventuais consultas a custo reduzido. O centro de saúde, o SNS 24, serviços de psicologia da comunidade e clínicas universitárias podem ajudar a identificar opções. A disponibilidade varia, e contactar vários serviços pode demorar.
Vai sair da sessão com uma explicação?
Pode sair com uma ideia mais clara do caminho a seguir, mas não espere uma explicação completa após uma única conversa. O terapeuta precisa de conhecer o contexto antes de tirar conclusões. Nesta fase, reconhecer a incerteza pode ser uma atitude responsável.
O passo seguinte pode envolver uma avaliação mais aprofundada, sessões regulares ou uma conversa com um médico. Alguns problemas de saúde física podem afetar o sono, a concentração, o estado de espírito ou a energia. Sugerir uma avaliação médica não significa, por si só, que o terapeuta suspeite de algo grave.
Se surgirem dúvidas sobre medicamentos, coloque-as a um psiquiatra, a outro profissional habilitado a prescrevê-los ou a um farmacêutico. Pergunte para que serve o medicamento, que efeitos secundários exigem atenção, como pode interagir com os seus antecedentes de saúde e quem deve contactar se tiver dúvidas. Quando for adequado e com a sua autorização, o terapeuta pode articular-se com os profissionais que lhe prestam cuidados médicos.
O que fazer se não se sentir à vontade
A sessão também lhe permite avaliar o terapeuta. Deve sentir que é tratado com respeito, que pode fazer perguntas e que tem liberdade para discordar. É pouco comum sentir confiança imediata, mas a segurança emocional básica e uma comunicação clara importam desde o início.
Pergunte como o terapeuta costuma trabalhar, com que frequência prevê realizar as sessões e como conversam sobre os progressos. Também pode perguntar «O que eu disser é confidencial?», «Como é protegida a minha privacidade nas sessões por vídeo?» e «Em que situações se aplica uma exceção à confidencialidade?». Procure uma explicação direta que consiga compreender.
Um momento desconfortável não significa necessariamente que a relação não possa resultar. As primeiras sessões podem deixar-nos vulneráveis, e até uma pergunta feita com cuidado pode soar mal quando estamos tensos. Se conseguir, termine a conversa e reflita depois. Pode falar do que o incomodou na sessão seguinte e observar como o terapeuta reage.
Pode escolher outra pessoa se se sentir julgado, repetidamente mal compreendido, pressionado a revelar informações ou impedido de fazer perguntas básicas. Mudar de terapeuta tem custos: pode implicar outra espera, outra despesa e o esforço de voltar a contar a sua história. Essas dificuldades são reais, mas não o obrigam a continuar com alguém com quem claramente não se sente bem.
Quando a autoajuda deixa de ser suficiente
Se receia agir com base em pensamentos suicidas ou se alguém está em perigo imediato, ligue 112 agora. Para falar com um profissional a qualquer hora, ligue para o aconselhamento psicológico do SNS 24, 808 24 24 24, opção 4. Para falar com alguém que o escute, pode ligar para a SOS Voz Amiga, 213 544 545, todos os dias das 15h30 às 00h30. Uma crise exige ajuda humana direta, não mais um exercício nem o registo numa aplicação.
Fora de uma crise imediata, marque uma consulta com um profissional se o problema persistir apesar dos seus esforços, se estiver a agravar-se ou se interferir regularmente com o sono, o trabalho, as refeições, as relações ou as responsabilidades do dia a dia. Não precisa de esperar até a vida se tornar insustentável. O médico de família, o centro de saúde, o SNS 24 ou a sua seguradora, se tiver seguro, podem ajudá-lo a identificar formas de acesso a cuidados.
Enquanto espera, notas breves e exercícios de autoajuda podem dar-lhe algo simples para fazer. A HelpClinic disponibiliza exercícios curtos, rotinas e um diário de emoções que podem ajudá-lo a organizar o que observa entre sessões. A aplicação não faz diagnósticos, não presta terapia nem substitui um terapeuta ou médico.
O próximo passo pode ser pequeno. Escolha hoje um terapeuta ou uma clínica, confirme o preço e peça a primeira marcação disponível.
Perguntas frequentes
O que acontece na primeira sessão de terapia?
A primeira sessão costuma ser uma conversa sobre o que o levou a procurar ajuda e como a dificuldade afeta a sua vida. O terapeuta pode perguntar sobre o sono, o trabalho, as relações, cuidados de saúde mental anteriores e o que gostaria de mudar. Antes de sair, pode conversar sobre os próximos passos e decidir se pretende marcar outra sessão.
O que devo dizer ao terapeuta na primeira sessão?
Comece com uma frase simples sobre o que tem sido difícil. Pode dizer que o stress no trabalho afeta o seu sono, que se sente sobrecarregado ou que não consegue explicar o que se passa. Não precisa de termos clínicos nem de um diagnóstico. Um exemplo recente e concreto dá ao terapeuta um ponto de partida para fazer perguntas úteis.
Como me preparo para a primeira sessão de terapia?
Anote as suas principais preocupações, quando começaram ou se agravaram e as perguntas que quer fazer. Notas breves sobre o sono, o estado de espírito, a energia e situações de stress podem ajudá-lo a recordar padrões. Antes da sessão, confirme o preço, a duração, a eventual cobertura do seguro, a confidencialidade, os detalhes da sessão por vídeo e as regras de cancelamento, para que as dúvidas práticas não o distraiam durante a sessão.
O terapeuta vai dizer-me logo o que se passa comigo?
O terapeuta pode precisar de mais tempo para compreender o que está a acontecer. A primeira conversa ajuda a conhecer o contexto e a identificar que cuidados podem ser úteis. Poderão falar de outras sessões, objetivos para a terapia ou uma avaliação médica. Se tiver sintomas físicos ou dúvidas sobre medicamentos, fale com um médico, psiquiatra ou farmacêutico.