Os sinais de depressão nos adolescentes podem parecer-se mais com irritabilidade, isolamento, alterações do sono ou dificuldades na escola do que com tristeza visível. Uma semana difícil não confirma uma perturbação, por isso procure mudanças persistentes em relação ao comportamento habitual do seu filho. Se ele falar de suicídio, perguntar como morrer ou puder estar em perigo imediato, ligue 112. Para aconselhamento psicológico a qualquer hora, ligue para o SNS 24, 808 24 24 24, opção 4.
A irritabilidade pode ser a primeira mudança que nota
Um adolescente com depressão pode parecer zangado, melindrado ou constantemente irritado. Pedidos simples podem provocar respostas bruscas. Poderá demorar mais do que antes a acalmar-se depois de uma discussão. Só a irritabilidade pode ter muitas causas, entre elas falta de sono, conflitos, doença física e stress habitual. O conjunto das mudanças é que importa.
Repare no que é novo. É diferente um adolescente que sempre precisou de sossego depois da escola e outro que, de repente, passa todas as noites fechado no quarto e abandona atividades de que gostava. Também há diferença entre discutir ocasionalmente por causa dos trabalhos de casa e parecer agora incapaz de começar a fazê-los.
Os sintomas de depressão na adolescência também podem incluir humor em baixo, sensação de vazio, culpa sem causa evidente, comentários de desespero, menos energia e autocrítica severa. Está a observar sinais, não a fazer um diagnóstico. Anote exemplos e datas para poder descrever as mudanças com precisão a um profissional de saúde.
Mudanças no sono, no corpo e na rotina
Os horários de sono mudam naturalmente na adolescência, e começar cedo as aulas pode deixar muitos jovens cansados. Preste mais atenção se a mudança for acentuada: dormir até muito mais tarde do que o habitual, passar grande parte da noite acordado, não ouvir o despertador repetidamente ou ficar muito tempo na cama sem se sentir descansado.
O apetite pode aumentar ou diminuir. Também poderá notar dores de cabeça ou de barriga frequentes, movimentos mais lentos, agitação ou menos cuidados de higiene. Estes sinais podem ter causas físicas. O pediatra ou o médico de família pode avaliar o conjunto da situação sem presumir que a causa é psicológica.
Olhe para o funcionamento diário, não para a arrumação. Um quarto desarrumado, por si só, diz pouco. Uma quebra mais ampla nos cuidados com a roupa, no banho, nas refeições, na assiduidade, nas amizades e nas atividades merece maior atenção. O seu filho pode estar a gastar quase toda a energia para aguentar o dia na escola e ter pouca capacidade para o resto quando chega a casa.
Mudanças na escola que merecem atenção
As notas podem baixar por alterações na concentração, memória, motivação ou assiduidade. Alguns adolescentes mantêm boas notas, mas estudam até muito mais tarde, entram em pânico com pequenos erros ou deixam de fazer tudo o que não seja estudar. O desempenho escolar é apenas um dos sinais.
Peça à escola observações concretas. Um professor pode ter reparado em trabalhos por acabar, sonolência nas aulas ou menor participação. A escola pode confirmar faltas e atrasos. O psicólogo escolar poderá conversar com o seu filho, explicar os recursos disponíveis e ajudar a pensar em apoios escolares temporários.
- Uma quebra acentuada na assiduidade, nos trabalhos concluídos ou na participação nas aulas
- Abandonar um desporto, grupo, atividade criativa ou convívio habitual com amigos
- Dormir muito mais ou muito menos do que era habitual
- Dizer repetidamente que não vale nada, que não tem saída ou que é um peso para os outros
- Procurar formas de morrer, oferecer bens de que gosta ou despedir-se
O último ponto exige ação imediata. Fique com o seu filho, reduza o acesso a armas e a outros meios que possam causar a morte, se puder fazê-lo em segurança, e ligue já para o SNS 24, 808 24 24 24, opção 4, para aconselhamento psicológico a qualquer hora. Se o seu filho já se tiver magoado ou o perigo for iminente, ligue 112. Não prometa guardar segredo sobre pensamentos suicidas. Os profissionais do SNS 24 podem ajudá-lo a decidir o passo imediato mais adequado.
Como começar a conversa sem o encurralar
Se se pergunta como falar com um adolescente sobre depressão, comece pelo que observou, sem atribuir um rótulo. Pode dizer: Reparei que tens dormido depois das aulas, faltado aos treinos e tido dificuldade em começar os trabalhos. Estou preocupado com a forma como te sentes. Depois, faça uma pausa.
O seu filho pode dizer que não se passa nada. Pode zangar-se ou ir embora. Isso não torna a conversa inútil. Diga-lhe que não vai forçar a conversa toda naquele momento, mas que voltará a falar com ele porque a sua segurança e saúde são importantes. Escolha outra altura calma, em vez de recomeçar durante uma discussão.
Faça perguntas diretas. Pode perguntar: Tens pensado que não queres continuar vivo? E depois: Pensaste em magoar-te ou em suicidar-te? Falar de forma clara não lhe põe a ideia na cabeça. Dá-lhe espaço para contar o que se passa. Se a resposta for sim, pergunte se está em perigo agora. Perante perigo imediato, ligue 112; para aconselhamento psicológico, ligue para o SNS 24, 808 24 24 24, opção 4.
Ouvir não significa fazer um interrogatório, procurar provas em cada emoção ou transformar a conversa numa lição sobre gratidão. Evite prometer uma solução rápida. O seu papel é levar a preocupação a sério, manter a conversa aberta e procurar uma avaliação adequada.
Quando envolver um profissional
Marque uma consulta com o pediatra ou o médico de família quando as mudanças persistirem, afetarem várias áreas do dia a dia ou interferirem com o sono, a escola, a higiene, as relações ou as atividades. Se for necessário, partilhe antes da consulta as suas observações com o profissional. O adolescente também deverá ter algum tempo para falar com ele sem a sua presença, respeitando as regras de confidencialidade aplicáveis.
Um terapeuta que trabalhe com adolescentes pode avaliar o padrão de mudanças e explicar as opções. Pergunte como envolve os pais, como trata a confidencialidade e como responde a preocupações de segurança. Se o custo for um obstáculo, informe-se no centro de saúde sobre as opções do SNS, veja se dispõe de seguro de saúde ou apoio através do trabalho e pergunte por serviços comunitários ou clínicas universitárias. Os preços ajustados à situação económica podem existir, mas as listas de espera e a disponibilidade limitada também contam.
A autoajuda não chega quando a situação está a piorar. Enquanto o seu filho espera por uma consulta ou trabalha com um terapeuta, a HelpClinic pode oferecer exercícios breves e um diário de emoções para apoio no dia a dia. Não substitui terapia, diagnóstico nem cuidados em crise. Também não deve tornar-se mais uma tarefa que vigia ou exige que ele cumpra.
Hoje, anote as mudanças que observou e contacte o profissional de saúde que já conhece o seu filho.
Perguntas frequentes
Quais são os sinais de depressão nos adolescentes?
Possíveis sinais incluem irritabilidade ou tristeza persistentes, perda de interesse, grandes alterações do sono ou apetite, descida das notas, faltas frequentes, isolamento, falta de energia, autocrítica severa e referências à morte ou à autolesão. Nenhum sinal isolado confirma depressão. Procure um padrão duradouro, diferente do comportamento habitual do adolescente, que afete o dia a dia.
Como posso falar com o meu filho adolescente sobre depressão?
Escolha um momento calmo e privado e refira mudanças concretas que observou, sem atribuir um diagnóstico. Diga que quer compreender e escute. Pergunte diretamente sobre a sua segurança, incluindo pensamentos de suicídio ou autolesão. Evite discutir se o que sente faz sentido. Proponha um próximo passo concreto, como irem juntos ao médico de família ou a um terapeuta.