Uma relação de confiança na terapia de um adolescente começa com duas coisas: um terapeuta que o respeite e uma explicação clara da confidencialidade. Em muitos casos, os pais continuam a tratar das questões práticas, mas o adolescente precisa de ter uma voz real na escolha do profissional, na definição de objetivos e em poder dizer quando não se sente bem com o terapeuta. Se houver perigo imediato, ligue 112. Se o adolescente tiver pensamentos suicidas ou estiver numa crise de saúde mental, ligue para o SNS 24, 808 24 24 24, opção 4, para apoio psicológico a qualquer hora.

Como podem começar o adolescente e os pais?

Comecem pelo problema que está a afetar o dia a dia, sem exigir logo um diagnóstico específico. Podem descrever o que mudou no sono, na escola, nas amizades, na alimentação, na concentração, na irritabilidade ou no tempo passado a sós.

Um adolescente pode dizer: «Tenho ficado acordado até de madrugada e faltado às aulas porque não consigo abrandar os pensamentos.» Um pai ou uma mãe pode dizer: «Reparei que deixaste de fazer coisas de que gostavas e queria encontrar alguém com quem te sintas à vontade para falar.» Ambas as frases descrevem o que se passa sem definir o adolescente por isso.

Os pais devem evitar apresentar a primeira consulta como um castigo ou uma prova de que o adolescente é o problema. Nos conflitos familiares, costuma haver mais do que uma pessoa envolvida. O terapeuta pode falar com o adolescente a sós, incluir um dos pais em parte da consulta ou sugerir sessões familiares. Perguntem como funcionará antes do primeiro encontro.

O adolescente não precisa de preparar uma explicação perfeita. Pode levar notas se lhe custar falar. Três linhas sobre o que acontece, quando acontece e o que gostaria que mudasse dão ao terapeuta um ponto de partida.

O que significa confidencialidade para um menor?

Confidencialidade significa que o terapeuta protege a informação privada, dentro dos limites legais e de segurança. No caso de menores, as regras concretas dependem da situação, do consentimento, do contexto dos cuidados e de quem exerce as responsabilidades parentais.

Em Portugal, o que é partilhado com os pais ou representantes legais depende, entre outros fatores, da idade e da maturidade do adolescente e das regras deontológicas do profissional. Os limites da privacidade, incluindo situações de perigo, devem ser explicados antes de se partilhar informação sensível. Os registos escolares e os registos de saúde também podem seguir regras diferentes. Não se fie apenas numa promessa genérica de privacidade feita por uma plataforma.

Façam estas perguntas ao terapeuta com o adolescente presente:

  • O que ficará entre o terapeuta e o adolescente?
  • Que informações serão habitualmente partilhadas com os pais?
  • Que situação de risco exigiria informar outra pessoa?
  • Quem pode consultar notas ou mensagens na área de cliente?
  • Como se aplicam as regras de consentimento e de acesso aos registos neste caso?
  • Como será tratado um pedido de atualização feito por um dos pais?

Uma boa explicação é concreta. Pode dar exemplos do que se mantém privado e do que exige uma resposta de segurança. Não é realista prometer segredo absoluto. Os pais também precisam de informação suficiente para responder a riscos graves, enquanto o adolescente precisa de espaço para falar sem ser sujeito a um interrogatório detalhado depois da sessão.

Como escolher um terapeuta?

Procurem um profissional qualificado que trabalhe regularmente com a faixa etária do adolescente e com a dificuldade que motivou a procura de ajuda. O que diz numa breve conversa inicial pode ser mais útil do que a descrição do seu perfil profissional.

Perguntem como decorre uma sessão habitual, como participam os pais e como o terapeuta avalia se o acompanhamento está a ajudar. Perguntem sobre horários depois das aulas, consultas à distância, necessidades de acessibilidade e regras para faltas. Se a identidade, a língua, a religião, uma deficiência ou a cultura familiar forem importantes para o adolescente, expressem essa necessidade diretamente.

O adolescente deve poder fazer uma pergunta em privado antes de decidir se quer continuar. Após algumas sessões, procurem perceber como se sente com o terapeuta, sem pedir pormenores do que foi dito. Podem perguntar: «Sentes-te respeitado e achas que esta pessoa compreende aquilo em que queres ajuda?» O silêncio nas primeiras sessões não significa necessariamente que algo esteja a correr mal. Sentir-se ridicularizado, pressionado ou repetidamente incompreendido merece atenção.

As consultas à distância podem facilitar os horários e evitar deslocações, mas a privacidade em casa pode ser difícil. Os auscultadores não impedem alguém de entrar no quarto. Decidam onde o adolescente pode falar sem ser ouvido, como o terapeuta confirma onde ele está em cada consulta e o que acontece numa crise.

Como lidar com os custos e o acesso?

Contactem o centro de saúde e perguntem que apoio de saúde mental está disponível para adolescentes e como aceder a ele. Se tiverem seguro de saúde, confirmem com a seguradora que profissionais atendem adolescentes, quais são os custos, se as consultas à distância estão cobertas e se é necessário algum encaminhamento. Perguntem também se as sessões familiares têm as mesmas condições.

Podem ainda informar-se sobre os serviços de psicologia disponíveis na escola e na comunidade. Se procurarem uma consulta particular, contactem diretamente os profissionais para confirmar se trabalham com menores, quando têm disponibilidade e qual é o preço. Algumas clínicas de formação universitária também podem ter consultas com profissionais supervisionados; confirmem as condições antes de marcar.

Se a entidade empregadora oferecer um programa de apoio aos trabalhadores e familiares, perguntem se inclui adolescentes e se o acompanhamento pode continuar depois das consultas previstas. Se o terapeuta estiver fora da rede do seguro, confirmem as regras de reembolso antes de marcar. A família pode ter de pagar o valor total primeiro, e o reembolso pode ser parcial ou recusado.

Os serviços locais e as associações podem ser outra opção a explorar. Confirmem os custos atuais, a experiência do profissional com menores e, nas consultas à distância, as condições em que o adolescente será atendido.

Quando precisa um adolescente de ajuda profissional ou urgente?

Procurem uma avaliação profissional se o sofrimento continuar a perturbar a escola, o sono, a alimentação, as relações, a higiene ou as responsabilidades habituais. Peçam ajuda mais depressa se houver autolesão, ameaças, maus-tratos, confusão grave ou uma perda súbita da capacidade de se manter em segurança.

Se houver preocupação com suicídio, perguntem diretamente. Uma pergunta clara não introduz essa ideia. Se o adolescente disser que pode agir, não consegue manter-se em segurança ou já tomou medidas para se magoar, fiquem com ele e reduzam o acesso a objetos perigosos enquanto procuram ajuda imediata. Para apoio psicológico a qualquer hora, liguem para o SNS 24, 808 24 24 24, opção 4. Se houver perigo imediato, liguem 112.

As ferramentas de autoajuda podem apoiar uma rotina, mas não substituem um terapeuta qualificado. A HelpClinic oferece exercícios curtos e um diário de emoções que um adolescente pode usar entre consultas, tendo em conta a sua idade e privacidade. Não é terapia nem um serviço de emergência.

O próximo passo é uma conversa calma: escolham três terapeutas e deixem o adolescente participar na decisão sobre quem contactar primeiro.

Perguntas frequentes

Que tipo de terapia é melhor para um adolescente?

A terapia mais adequada depende das dificuldades, preferências e circunstâncias do adolescente, bem como da confiança que consegue estabelecer com o terapeuta. Comecem por procurar um profissional qualificado com experiência relevante e perguntem como decorrem habitualmente as sessões. O adolescente deve ter espaço para fazer perguntas e perceber se se sente respeitado. Se houver um risco urgente, procurem ajuda imediata, sem esperar por encontrar o acompanhamento ideal a longo prazo.

A terapia de um adolescente é confidencial?

A terapia de adolescentes é, em geral, privada, mas a confidencialidade tem limites relacionados com as regras aplicáveis e com a segurança. Antes de partilhar informações sensíveis, o adolescente e os pais podem perguntar o que se mantém privado, o que pode ser comunicado e quando o terapeuta terá de envolver outra pessoa. Um terapeuta de confiança deve explicar estes limites com clareza e ajudar os pais a apoiar o adolescente sem exigir todos os pormenores das sessões.

Como podem os pais encontrar terapia a um preço acessível para um adolescente?

Os pais podem perguntar aos profissionais pelos preços, pelas condições do seguro e por opções de custo reduzido. O centro de saúde, a escola e serviços da comunidade podem ajudar a identificar cuidados acessíveis. Confirmem o custo total e as regras para faltas antes de começar. Se o adolescente precisar de ajuda urgente, procurem apoio para a sua segurança sem esperar pela comparação de preços ou por uma consulta de rotina.

Quando precisa um adolescente de ajuda urgente para a saúde mental?

Um adolescente precisa de ajuda urgente se não conseguir manter-se em segurança, disser que pretende magoar-se ou magoar outra pessoa, ou apresentar uma mudança súbita e grave que torne difícil protegê-lo. Fiquem com ele se for seguro fazê-lo, reduzam o acesso a perigos imediatos e contactem apoio em crise. Em perigo imediato, liguem 112; para apoio psicológico a qualquer hora, liguem para o SNS 24, 808 24 24 24, opção 4. Não deixem o adolescente lidar sozinho com a situação.