A perturbação aguda de stress descreve um conjunto específico de sintomas relacionados com um acontecimento traumático, com duração entre três dias e um mês após esse acontecimento. Para se considerar a PSPT, os sintomas relevantes têm de durar mais de um mês. A PSPT pode surgir com ou sem uma perturbação aguda de stress anterior, e os prazos, por si só, não permitem estabelecer qualquer dos diagnósticos. Se estiver em perigo imediato, ligue 112. Se receia magoar-se ou não consegue manter-se em segurança, ligue agora para o SNS 24, 808 24 24 24, opção 4, para apoio psicológico a qualquer hora.

O que significa este intervalo de tempo

O período considerado para a perturbação aguda de stress começa três dias após o acontecimento traumático e vai até um mês. Os sintomas nas primeiras horas ou nos primeiros dias podem ser intensos sem preencherem os critérios deste diagnóstico. Se persistirem para além de um mês, é necessária uma avaliação clínica diferente.

A data do acontecimento é importante, por isso anote-a se puder. Registe também quando começaram os problemas de sono, as memórias indesejadas, a tendência para evitar certos estímulos, a sensação de entorpecimento ou o estado de alerta constante. Se passou por vários acontecimentos traumáticos, conte-o ao profissional, em vez de escolher apenas uma data.

Organizar estas datas pode ser mais difícil se mudou de país, atravessou fusos horários, passou dias em viagem ou não teve um lugar seguro para guardar documentos. Mesmo uma cronologia aproximada é útil. Pode associar os acontecimentos a um voo, à passagem de uma fronteira, a uma ida ao hospital, a uma participação à polícia ou ao dia em que chegou a uma morada temporária.

Perturbação aguda de stress ou PSPT

A principal diferença está no período de tempo considerado para o diagnóstico, embora os critérios também agrupem os sintomas de formas diferentes. Ambas podem envolver memórias indesejadas, evitamento, humor negativo, sensação de distanciamento, alterações do sono e vigilância constante. Nenhum destes diagnósticos deve ser atribuído com base apenas numa lista de sintomas.

Um profissional de saúde perguntará como aconteceu o evento e de que forma as suas reações afetam o trabalho, as relações, o sono, as deslocações e as tarefas básicas. Poderá também considerar lesões físicas, concussão, dor, luto, privação de sono e outros problemas de saúde. Se chegou recentemente a Portugal, o profissional não deve confundir diferenças de língua ou formas culturais de expressar o sofrimento com sintomas sem lhe perguntar primeiro o que significam para si.

A PSPT não é simplesmente uma versão mais grave de todas as reações iniciais. Algumas pessoas sofrem bastante sem preencher os critérios de qualquer um destes diagnósticos e podem, ainda assim, precisar de atenção profissional. Uma avaliação serve para compreender as suas necessidades e a sua segurança, não para encaixar a sua experiência num rótulo.

O que inclui uma avaliação profissional

A avaliação abrange o acontecimento, os sintomas, quando começaram, o impacto na vida diária, a segurança e outras explicações possíveis. Se o português não é a língua em que consegue descrever com precisão o que viveu, pode pedir um intérprete qualificado. Evite recorrer a uma criança, a um familiar ou à pessoa que alegadamente lhe fez mal para interpretar informações sensíveis.

O profissional poderá perguntar sobre:

  • Ter vivido diretamente ou testemunhado uma morte, uma ameaça de morte, uma lesão grave ou violência sexual, real ou ameaçada; ter sabido que isso aconteceu a um familiar próximo ou amigo próximo; ou ter tido exposição repetida ou extrema, no trabalho, a pormenores perturbadores desses acontecimentos. Quando o que aconteceu a uma pessoa próxima foi uma morte ou ameaça de morte, esta tem de ter sido violenta ou acidental.
  • Memórias indesejadas, sonhos, experiências semelhantes a reviver o acontecimento e reações ao que o faz recordar.
  • Tentativas de evitar pensamentos, pessoas, lugares, notícias, documentos ou viagens associados ao acontecimento.
  • Sensação de entorpecimento, de irrealidade, de estar desligado do próprio corpo ou incapacidade de recordar parte do que aconteceu.
  • Sono, concentração, irritabilidade, reações de sobressalto e vigilância constante perante possíveis perigos.
  • Mudanças no trabalho, nos cuidados aos filhos, em compromissos relacionados com a imigração, nas relações ou nos cuidados diários consigo.
  • Pensamentos de se magoar ou magoar alguém, confusão, lesões ou qualquer motivo pelo qual não consiga manter-se em segurança.

Pode decidir quanto detalhe partilha de cada vez, embora o profissional precise de informação suficiente para fazer a avaliação. Pergunte por que motivo lhe fazem determinada pergunta e como será registada a resposta. Se houver um processo de imigração, documentos de asilo ou assuntos judiciais, esclareça se procura cuidados de saúde, uma avaliação para fins legais ou ambas as coisas. São funções diferentes.

O que fazer durante o primeiro mês

Comece pela segurança, pelas necessidades médicas e por alguma estabilidade no dia a dia. Procure cuidados médicos se tiver uma lesão, um sintoma neurológico novo, dor intensa ou outra preocupação física. Um diagnóstico de saúde mental não deve servir para desvalorizar sintomas que precisam de exame físico.

Reduza as exigências sempre que possível. Guarde os documentos essenciais num lugar conhecido, identifique uma pessoa de confiança e anote a morada onde está alojado. Limite a exposição repetida a imagens perturbadoras se notar que agravam os sintomas. O álcool ou outras substâncias podem parecer aliviar o sofrimento por pouco tempo, mas também podem trazer problemas de segurança e de sono.

Os exercícios de ligação ao presente não resultam para toda a gente. Fechar os olhos ou concentrar-se no corpo pode intensificar algumas reações ao trauma. Experimente manter os olhos abertos, identificar objetos na divisão, segurar um copo frio ou dizer em voz alta a data e o local onde está. Pare qualquer exercício que aumente a desorientação.

A HelpClinic disponibiliza exercícios curtos de autoajuda, rotinas diárias, um diário de emoções e orientação entre sessões de terapia. Não diagnostica a perturbação aguda de stress, não presta terapia, não prepara relatórios legais nem responde a emergências. Use-a apenas se o ajudar a organizar-se e se não aumentar a atenção que dá aos sintomas.

Quando e onde procurar ajuda profissional

Procure uma avaliação profissional se as reações perturbarem o sono, as deslocações, o trabalho, os compromissos, as relações ou os cuidados básicos, ou se continuarem a agravar-se. Não precisa de esperar que passe um mês. Pode dizer ao médico de família ou a um terapeuta: «Passei por um acontecimento traumático nesta data. Estas reações começaram depois e estão a afetar estas partes do meu dia.»

Se o custo dificultar o acesso, contacte o seu centro de saúde e pergunte que apoio está disponível ou como obter encaminhamento. Também pode perguntar a um psicólogo particular qual é o preço da consulta e se existem opções de custo reduzido. Se tiver seguro de saúde, confirme diretamente com a seguradora as condições de cobertura e de reembolso antes de marcar consultas regulares.

Pergunte se o serviço dispõe de um intérprete qualificado e se o profissional tem experiência com pessoas migrantes ou deslocadas. Se precisar de documentação para um processo de imigração, fale com o seu advogado sobre o tipo de avaliação exigido antes de a pagar. Se os sintomas estão a dificultar o seu dia a dia, marque hoje uma consulta de saúde.

Perguntas frequentes

Que acontecimentos podem estar associados à perturbação aguda de stress?

A perturbação aguda de stress pode surgir após viver ou testemunhar diretamente uma morte, uma ameaça de morte, uma lesão grave ou violência sexual, real ou ameaçada. Também pode seguir-se à notícia de que um familiar próximo ou amigo próximo passou por um desses acontecimentos, ou à exposição repetida ou extrema, no trabalho, aos seus pormenores perturbadores. No caso da morte ou ameaça de morte de uma pessoa próxima, o acontecimento tem de ter sido violento ou acidental. A exposição, por si só, não determina a reação de cada pessoa. Uma avaliação profissional considera os sintomas, o momento em que começaram, o impacto na vida diária e outras explicações possíveis.

Qual é a diferença entre PSPT e perturbação aguda de stress?

A diferença principal está em quando surgem os sintomas relacionados com o trauma e quanto tempo duram. A perturbação aguda de stress refere-se a um padrão de sintomas entre três dias e um mês após o acontecimento; a PSPT pode ser considerada quando o padrão relevante persiste para além de um mês. Os profissionais também verificam os critérios específicos de cada condição. É necessária uma avaliação, porque outras reações ao stress e outros problemas podem parecer semelhantes.

Quais são os critérios do DSM-5 para a perturbação aguda de stress?

Os critérios incluem exposição a um acontecimento traumático, um conjunto definido de sintomas, a sua duração e sofrimento significativo ou dificuldades no funcionamento diário. Os sintomas podem incluir memórias intrusivas, humor negativo, dissociação, evitamento ou estado de alerta aumentado. O profissional verifica ainda se o consumo de substâncias, um problema médico ou outra condição explica melhor o que se passa. Uma lista de critérios não permite fazer um autodiagnóstico.